Matéria do Jornal do Comércio de POA sobre o caso Denise Bottmann

21 de abril de 2010

No Jornal do Comércio de Porto Alegre, matéria de Cadu Caldas sobre o caso Denise Bottmann, intitulada Letras sob suspeita.


Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

3 de abril de 2010

A Área Didática de Tradução do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em reunião realizada aos 29 de março de 2010,

Considerando ser a liberdade de expressão, além de um direito, um dos bens mais preciosos da democracia,

Considerando ser a atuação da colega Denise Bottman em defesa dos tradutores e das traduções legítima e necessária, e

Considerando o atual do processo movido pela Editora Landmark por danos morais e materiais causados pelas ações da tradutora e historiadora, e que pede, inter alia, a imediata remoção de seu blog da Internet “Não Gosto de Plágio” (http://naogostodeplagio.blogspot.com/),

Manifesta seu apoio unânime a Denise Bottman em sua luta contra o plágio de traduções, e a consequente desvalorização não apenas da figura do tradutor mas de todo o princípio do direito autoral e da propriedade intelectual.


Ação de Martin Claret contra Denise Bottmann é rejeitada em segunda instância por unanimidade

1 de abril de 2010

Na Folha Online, detalhes sobre o caso. Clique aqui.


UNICAMP apoia Denise Bottmann

24 de março de 2010

A UNICAMP divulga moção de apoio a Denise Bottmann. É grande o número de entidades ligadas aos meios literários e acadêmicos que têm manifestado seu apoio à causa de Denise Bottmann. Para conhecer o conteúdo da moção de apoio da Unicamp, clique em “Leia o resto deste post”. Leia o resto deste post »


Conheça todos os aspectos do plágio em tradução

16 de março de 2010

Em abrangente entrevista de Denise Bottmann ao Portal Literal é possível conhecer todos os aspectos do plágio em tradução. Não deixe de ler.


Lista atualizada do abaixo-assinado a favor de Denise Bottmann

6 de março de 2010

Com os nossos agradecimentos aos que aderiram ao abaixo-assinado. Clique em “Leia o resto deste post”, abaixo, para ver a lista dos que aderiram ao abaixo-assinado a favor de Denise Bottmann, abrigado no site Petition on Line. A relação está em ordem alfabética. Foram excluídos os nomes repetidos e os que estavam sem sobrenome. O número da direita, após o *, é o da adesão. Para ver a íntegra do manifesto, clique aqui. Para aderir, clique aqui.

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Conheça os blogues que nos apoiam

5 de março de 2010

Clique em “Leia o resto deste post” para conhecer a lista de alguns dos blogues que apoiam a causa de Denise Bottmann.

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I support Denise

3 de março de 2010

Two years ago Denise Bottmann, a well-known Brazilian translator, denounced in her blog “Não gosto de plágio” [“I don’t like plagiarism”] the dishonest practice of a number of Brazilian publishing companies of republishing out-of-print translated works with the names of fictitious translators.

It soon became clear that a large number of publishing companies carry out this practice, and that the number of works published in Brazil using the names of fictitious translators is considerable. When her denouncements spread, certain publishing companies began to take legal action against her.
In one of them the judge threw out the suit, but the publishers appealed, and the process has now gone to the Court of Appeals.  Recently Landmark publishing house has brought a lawsuit against Denise over her denouncing the plagiarism of two works: Jane Austen’s Persuasion and Emily Brontë’s Wuthering Heights.

This has all resulted in the mobilization of translators, writers, and the more honest publishing houses, who wish to appeal to public opinion and demonstrate their indignation at the fact that many publishers openly flout the law of authorial rights.

A petition has now been publishedon the site Petition
on Line (http://www.petitiononline.com/Bottmann/petition.html)


Manifesto de apoio a Denise Bottmann

28 de fevereiro de 2010

Causou comoção entre todos os profissionais ligados aos meios editoriais do País a notícia de mais um processo movido contra a tradutora Denise Bottmann, em decorrência de denúncias de plágio de tradução, por ela veiculadas em seu blogue Não Gosto de Plágio.

Diante do número de plágios desmascarados ao longo dos últimos anos por essa incansável profissional, ficou claro que a extensão de tal delito é muito maior do que qualquer um poderia imaginar quando das primeiras descobertas. Desta vez o processo é movido pela Editora Landmark, que apresentou em juízo as seguintes pretensões: vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais; publicidade restrita (ou seja, andamento do processo sob sigilo de justiça);  remoção do blogue Não Gosto de Plágio da internet, invocando o “direito de esquecimento”;  antecipação dos efeitos da tutela de mérito (ou seja, determinação da remoção imediata do blog antes do exame do mérito da ação impetrada).

O fato é que, em pouco tempo, o referido blogue se tornou amplamente conhecido e converteu-se num ponto de referência certamente incômodo para os que, até seu advento, não eram molestados no tranquilo afã de copiar traduções esgotadas e lançá-las no mercado com nomes reais ou fictícios, nem de longe assemelhados aos dos verdadeiros tradutores. Assim, considerando a necessidade de que essas denúncias não só tenham prosseguimento, mas também se ampliem e aperfeiçoem, nós, abaixo assinados, nos mobilizamos a favor do desmascaramento de uma prática que:

1. fere a Lei de Direitos Autorais, que considera o tradutor como autor de obra derivada e salvaguarda seus direitos morais e patrimoniais;

2. configura concorrência desleal, pois as editoras de má-fé, não arcando com os custos dos direitos de tradução ou não pagando por uma retradução, põem em desvantagem as editoras que, pautando-se pela idoneidade, assumem tais custos;

3. atenta contra nosso patrimônio cultural, ao disseminar a cópia fraudulenta de obras muitas vezes assinadas originalmente por nomes reconhecidos e estimados de nossa literatura.

Pelos motivos acima, confiando que a justiça realmente será feita, publicamos esta manifestação de apoio aos esforços de Denise Bottmann, conclamando à adesão todas as pessoas interessadas no combate à prática delituosa do plágio e no enriquecimento das interações culturais neste país.

Heloisa Jahn
Jorio Dauster
Ivo Barroso
Ivone C Benedetti

IMPORTANTE: Se você quiser aderir a este manifesto, saiba que temos um abaixo-assinado em:

http://www.petitiononline.com/Bottmann/petition.html

Vá até lá e junte-se a nós!


Afinal, do que Denise Bottmann está falando?

28 de fevereiro de 2010

Este artigo nasceu de anotações que fiz em duas páginas das traduções de Morro dos ventos uivantes. Abaixo, para ilustração (fig. 1), estão as imagens, par a par, da tradução de Vera Pedroso, Art Editora (a da esquerda) [doravante primeira tradução] e da ed. Landmark [doravante segunda tradução]. Meu intuito inicial era apenas confrontar os dois textos em português, para levantar uma estatística das semelhanças. Ao longo do trabalho, porém, fiz também algumas anotações das opções das duas traduções com base no exame do texto inglês. Essa observação foi parcial, mas profundamente produtiva. Um trabalho desses renderia até uma dissertação de mestrado. Fica aí como sugestão. Em vista da exiguidade do meu tempo, deixo aqui consignadas estas modestas reflexões para quem nelas quiser encontrar alguma utilidade.

Começo pelo nível vocabular. O trecho estudado tem cerca de 645 palavras. As que diferem de um texto para o outro (sublinhadas na imagem) contam 24, portanto a tradução nova difere em 3,7% das palavras em relação à antiga. Não costuma ser tão baixo o nível das discrepâncias em textos literários. Para facilitar a comparação desse dado, anexo na fig. 2 a imagem de duas traduções feitas no Brasil para o romance Eugénie Grandet de Balzac: a da esquerda é minha (L&PM, 2006); a da direita é da ed. Globo, coordenada por Paulo Rónai (as traduções do volume em que está Eugênia Grandet na edição da Globo são assinadas por Gomes da Silveira e Joaquim Novais Teixeira). No trecho aqui mostrado, contei 250 palavras na minha tradução e 268 na da Globo. Sobre uma média de 259 palavras, encontrei 55 diferenças, o que equivale a cerca de 21%. Evidentemente, trata-se de uma abordagem rápida com contagem absoluta, sem uso de pesos para cada nível da linguagem.

Ora, só poderia haver diferenças vocabulares entre duas traduções de Morro dos ventos uivantes, feitas com tão grande intervalo de tempo (1971 e 2007). Afinal, quem escreve hoje como ontem? No referido trecho, por exemplo, há troca de entretendo por cultivando, de vez que por vez em que; de de havia muito por há muito tempo [troca infeliz, aliás], de por esta altura por a esta altura, de prodigalizou-lhe por mimou-a com [por que será?], de tive de por tive que. Mas há correções! A não ser mais uma vez com certeza traduz melhor but once more do que a não ser para sempre. Também é preciso adaptar para não causar estranheza, como usar pálpebras em vez de cílios [tradução literal de (eye)lashes], pois afinal é nas pálpebras que as lágrimas se acumulam antes de cair pelas faces, e não nos cílios. Está aí certamente um importante debate: onde, afinal, se acumulam as lágrimas?

A análise das diferenças nas figs. 1 (Morro dos ventos uivantes) e 2 (Eugénie Grandet) também revela um caráter qualitativo que o simples levantamento percentual das diferenças vocabulares não mostra: trata-se das opções sintáticas. É fácil ver que entre as duas traduções de Morro dos ventos uivantes elas praticamente não existem, ao passo que nas duas de Eugênia Grandet elas são abundantes.

Em qualquer tradução, mas sobretudo na literária, esse fator, muito mais que o vocabular, demonstra a originalidade das opções. Simplesmente porque ele é sub-reptício, porque a ele ninguém dá atenção, ou pelo menos não lhe dão atenção os que acreditam, ingênua ou desonestamente, na possibilidade de duas traduções idênticas. Acreditar que é possível construir um texto complexo com duas sintaxes idênticas, partindo-se de outra língua, é o mesmo que esperar de dois músicos eruditos a mesmíssima linha harmônica e a mesma orquestração para dada melodia, desde que eles trabalhem separadamente.

Mas no caso de Morro dos ventos uivantes a afinação entre duas mentes separadas por um oceano de tempo só pode mesmo ser fruto das grandes afinidades entre almas gêmeas.

Fatos!

Adjunto adverbial é um bom começo para qualquer análise desse tipo. Trata-se do elemento sintático mais flutuante em todas as línguas: há as que preferem vê-los no fim ou no começo da frase, como o inglês, há as que fazem questão de grudá-lo ao verbo, como o francês, e há as anarquistas, como o português. Pois bem, nos dois textos eles estão sempre exatamente nos mesmos lugares e são expressos sempre do mesmo modo.

Outra observação interessante: a periodização é idêntica. Caso emblemático nesse trecho é o seguinte: onde o inglês diz:

you’ll long again to have me under this roof and you’ll look back and think you were happy today”

as duas traduções rezam:

você desejará novamente ter-me aqui, debaixo deste teto. Recordará este dia e achará que era feliz.

Sem comentar a perda de oportunidade, nos dois casos, de explorar poeticamente os futuros you’ll long e you’ll look back and think seguidos de um passado were remetendo a um presente today, do ponto de vista sintático chama aí a atenção o fato de terem as duas traduções cortado o período exatamente no mesmo ponto e com as mesmas palavras. Como se vê, o inglês não tem ponto. À tradutora mais antiga certamente não apeteceu escrever e… e… e pareceu mais elegante cortar o período. Interessante e rara coincidência de gostos também neste caso.

Outros fatos interessantes:

1. it [despondency] might be partially removed by a change of scene

foi traduzido nos dois casos por:

e que talvez [ela] melhorasse

Ou seja: nos dois casos as opções sintáticas foram idênticas, nos dois casos houve substituição do sujeito it por um ela oculto (pois a sequência frasal em português só pode levar a ela).

Nesse trecho, do ponto de vista vocabular, também é surpreendente o uso de pessimismo para traduzir despondency, que tem um sentido mais passivo, de desolação, desânimo, abatimento, desalento e coisas do gênero, e não tão ativo como costuma ser o pessimismo. Como se vê, dentre as dezenas de possibilidades semânticas, novamente a tradutores antigos e novos acertaram o mesmo alvo, desta vez um tanto distante, mas decerto bem visível para olhos aguçados.

2. till another room could be prepared

foi traduzido nos dois casos por:

até que se pudesse preparar outro quarto para ela

Ou seja: nos dois textos teve-se a ótima ideia de acrescentar “para ela”, certamente em vista da louvável preocupação em facilitar a vida do leitor. O que me chama a atenção também aí é a propriedade com que uma voz passiva analítica do inglês could be prepared foi traduzida por uma voz passiva sintética em português, coisa em que os tradutores atuais não primam, coisa que eles nem conhecem, coisa que denigrem quando conhecem, preferindo em geral a tradução literal, analítica; mas desta vez estamos diante de milagrosa e alvissareira comunhão do bom gosto.

3. to obviate the fatigue, que ao pé da letra é para/a fim de evitar(-se)/obviar(-se) o cansaço/a fadiga [pequeno trecho em que é possível identificar 16 possíveis combinações],

está na tradução antiga como

a fim de poupar-lhe o cansaço

e na atual como

a fim de poupar-lhe o esforço

Ora, está claro que quem poupa poupa esforço, não cansaço. E quem há de discutir? Mas se, entre cansaço e esforço, o tradutor atual e o antigo não se entendem, tudo parece harmonioso na opção de traduzir obviate por poupar e — mais que isso — dependurar no verbo um providencial lhe.

4. Não há dúvida de que the master, no contexto, é o Sr. Linton, e não haveria por que não substituir um por outro. Claro! Por que direi o Presidente se posso dizer Lula? Nada mais explicável do que essa outra coincidência.

E paro por aqui não porque não haja mais o que comentar, mas porque não tenho tempo para tantas e instrutivas observações.

Se não fosse tão perigoso, eu ousaria dizer que a tradução atual é a antiga passada por uma revisão. Mas não ouso! Ou ouso?

Figura 1

Figura 2

Se você quiser ver mais trechos de Morro dos ventos uivantes e de Persuasão, clique no link abaixo.

MVU e Persuasão

Trata-se de um arquivo em PDF com o seguinte conteúdo:

- Persuasão pela Landmark do começo até pág. 10. (A tradução portuguesa integral, que Denise aponta como a original, pode ser encontrada na íntegra neste endereço: http://www.scribd.com/doc/10183025/Jane-Austen-Persuasao)

- Morro dos ventos uivantes pela Landmark da pág. 11 até a 20.

- Morro dos ventos uivantes, Art Editora, 1985, trad. Vera Pedroso, da pág. 21 à 35, que Denise indica como original



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